Quarta Ago 20

Corrente Magnética

Nos dias 18 a 21 de fevereiro de 2012 aconteceu em Palmas (TO) e Paracatu (MG) a 56ª. Concafras/Pse – Confraternização das Campanhas de Fraternidade Auta de Souza e Promoção Social Espírita; e o Tema Especial de estudos do evento foi Desobsessão por Corrente Magnética. Rosana Borges, Coordenadora do Instituto da Mediunidade, em entrevista por e-mail, falou ao Jornal Espírita Auta de Souza (JEAS) sobre a metodologia da Corrente Magnética.

 

JEAS: Onde e como surgiu a Corrente Magnética?

 

Encontramos registros sobre a Corrente magnética, estudada e utilizada de forma terapêutica, com Mesmer (1734-1815), Deleuze (1753-1835), Du Potet (1796-1881), citando aqui alguns dos mais respeitados magnetizadores, dos séculos 18 e 19.

A Corrente magnética é uma ação magnética multissecular.

 

JEAS: Por que surgiu a Corrente Magnética?

 

A Corrente Magnética surgiu da necessidade de se atender o maior número de sofredores com bons resultados, e é um método que, na experiência de Deleuze, “o mais potente de todos para aumentar a força do magnetismo e para colocá-lo em circulação.” (1)

A Corrente Magnética surge como um método de atendimento às multidões. A multidão sofredora impulsionou Mesmer a criar a “tina das convulsões, em redor da qual podiam se atender simultaneamente até 130 pessoas”, como nos afirma Manoel P. de Miranda, no livro Nos Bastidores da Obsessão. Esta também foi a motivação de Puysegur ao magnetizar uma árvore em Busancy “a fim de atender à grande massa de doentes” (2)

 

JEAS: Onde encontrar citação que comprova que Mesmer utilizava a Corrente Magnética?

 

Cahagnet comenta que este também era um método empregado por Mesmer “para operar com muito sucesso”, e diz: “ao assim fazerem, dá-se o nome de corrente, de modo que vossa ação será extremamente potente.”  (3)

Allan Kardec inseriu 4 mensagens de Mesmer, Espírito, nas edições da sua Revista Espírita, de janeiro e outubro de 1864, maio de 1865 e março de 1867).

 

JEAS: O que disse Allan Kardec sobre Espiritismo e Magnetismo?

 

 “O magnetismo preparou o caminho do Espiritismo [...].” (4)

“O Espiritismo e o magnetismo nos dão a chave de uma imensidão de fenômenos [...]. As duas ciências que, a bem dizer, formam uma única [...].” (5)

Com estas afirmações Kardec reconhece, de forma categórica, a união dessas duas ciências e a enorme contribuição dos magnetizadores para o Espiritismo.

Homens ilustres estudaram o Magnetismo e as técnicas de utilização terapêuticas.

 

JEAS: O que disse Kardec a respeito dos magnetizadores?

 

Ele ressalvou que: "Qualquer que seja a opinião dos contemporâneos [...] a posteridade far-lhes-á justiça; ela colocará os nomes do barão Du Potet, diretor do Journal Du Magnétisme, [...] ao lado de seus ilustres predecessores, o marquês de Puységur e o sábio Deleuze. (6).

Todos eles utilizavam a corrente magnética e reconheciam-na como um método eficaz de tratamento.

 

JEAS: Por que Kardec não se deteve mais tempo falando sobre o Magnetismo?

 

O Codificador não se entrou em detalhes quanto às ações magnéticas, pois já eram tratadas com superioridade de talento, conforme ele afirmou:

 “[...] entre nós o Magnetismo já possui órgãos especiais justamente acreditados, seria supérfluo insistirmos sobre um assunto que é tratado com tanta superioridade de talento e de experiência; a ele, pois, não nos referiremos senão acessoriamente, mas de maneira suficiente para mostrar as relações íntimas entre essas duas ciências que, a bem da verdade, não passam de uma." (7)

 

JEAS: Como os magnetizadores utilizavam o magnetismo?

 

Estes magnetizadores de “superioridade de talento e de experiência” citados por Kardec utilizavam o passe, a água fluidificada, o sopro, a imposição de mãos e a corrente magnética. 

 

JEAS: Allan Kardec conhecia a Corrente Magnética?

 

Instituições Espíritas, ao tempo de Kardec, realizavam a Corrente Magnética.

Kardec noticia na Revista Espírita, setembro 1865, um caso de cura ocorrido em Montauban, em que a corrente magnética foi utilizada “a pedido dos bons Espíritos”.

Montauban, em 14 de julho de 1865.

Caso de cura quase instantânea de uma entorse operada pelo Espírito Dr. Demeure [...].

Assim, reuniram-se novamente no dia 28 e, uma vez declarado o sonambulismo, foi formada a corrente magnética a pedido dos bons Espíritos [...].

No fim da sessão houve uma cena tocante, que merece ser relatada. Os bons Espíritos, em número de trinta, no começo formavam uma cadeia magnética paralela à que nós próprios formávamos. [...].       

Quando se foi testemunha de tais fatos não se pode deixar de os proclamar em voz alta, pois merecem chamar a atenção das pessoas sérias.”  (8)

 

JEAS: Pode citar outro caso em que Kardec demonstra que conhecia a Corrente Magnética?

 

Na Revista Espírita em junho de 1867, Allan Kardec divulga o relatório anual publicado pela Sociedade Espírita de Bordeaux.  Nele o Sr. Peyranne relata a utilização da Corrente Magnética, com sucesso, na cura de um processo obsessivo de uma jovem de 12 anos. Vejamos:

“Órfã, cuidada por parentes muito pobres, esta menina nos foi apresentada em estado lastimável. (...) A primeira vista compreendemos que aí também havia uma obsessão. Não detalharei aqui os inúmeros incidentes a que deu lugar esta cura (...). Direi apenas que, dois meses após nossa entrevista com o médico, (...) a menina (...) estava perfeitamente curada.”

Método de Tratamento - “Sabemos, ainda, que uma descarga fluídica feita sobre um obsedado por vários espíritas, por meio da corrente magnética, pode romper o laço fluídico que o liga ao obsessor e tornar-se para este último um remédio moral muito eficaz, provando-lhe sua impotência.” (9)

 

JEAS: Allan Kardec aprovou o método de trabalho da Sociedade Espírita de Bordeaux?

 

Kardec diz textualmente: “Não podemos senão aplaudir o programa da Sociedade Espírita de Bordeaux e cumprimentá-la por seu devotamento e pela inteligente direção dos seus trabalhos.

A maneira por que procede para o tratamento das obsessões é, ao mesmo tempo, notável e instrutiva, [...].”  (10)

Portanto, o Codificador quando escreve aplaudindo e cumprimentando a direção da Sociedade Espírita de Bordeaux, quanto ao método utilizado, fazia-o com consciência, coerência e bom senso, características comprovadas do insigne Mestre Lionês.

A opinião de Kardec sobre a Corrente Magnética é de uma lógica contundente: “e a melhor prova de que esta maneira é boa, é que dá resultado.” (11)

 

JEAS: Além da Sociedade Espírita de Bordeaux e de Montauban, Léon Denis também conheceu e utilizou a Corrente Magnética?

 

Sim. No livro Léon Denis na intimidade há um fato muito interessante, escrito por Léon Denis:

“Tours, 1º de novembro de 1879.

Um espírito sofredor se manifesta, antes pela mesa, sob o nome de Louis Victor Savary. Após algumas frases incoerentes, ele se retira, cedendo lugar ao Espírito de Volliat, guia espiritual do grupo de Mans, que nos recomenda orar por aquele que acaba de nos deixar. Sob a ordem de Volliat nós apagamos todas as luzes e adotamos as disposições seguintes em torno da mesa: em frente do Sr. Lebreton se coloca Aguzolli tendo Pierre Hodèe à sua direita e Armand à sua esquerda, o Sr. Cornilleau à direita e Denis à esquerda do Sr. Lebreton. Assim está constituída a primeira corrente; a segunda se estabeleceu atrás, na ordem seguinte: Gratel tendo a mão direita na de Cornilleau, depois Brard, a Sra. Denis, a Sra. Gratel, o Sr. Théodet Fergsson em contato com Denis. [...] Após sinceros agradecimentos, aos bondosos guias, a assistência se dissolve à meia noite e meia, levando dessa sessão uma  viva impressão, um sentimento de fé ardente de fraternidade.”  (12)

 

JEAS: Eurípedes Barsanulfo utilizou a Corrente Magnética?

 

Com certeza. Sabemos que o professor Eurípedes participava pessoalmente da Corrente Magnética no Centro Espírita Esperança e Caridade, em Sacramento (MG), conforme nos relata Corina Novelino:

 “Após a leitura de trecho de uma obra da Doutrina, Eurípedes saía de sua mesinha e vinha ocupar o seu lugar na corrente de concentração e dos médiuns, que formavam círculo, no centro do salão. De pé, o mestre dirigia profunda e sentida prece, iniciada sempre pelo Pai-Nosso e rematada por oração improvisada de adoração e evocação. Terminada a oração, sentava-se de mãos dadas, formando a corrente. Do lado esquerdo, repousando sobre uma mesa muitas garrafas de água a serem fluidificadas.”  (13)

 

JEAS: E Jerônymo Candinho também aplicava a Corrente Magnética?

 

Jerônymo Candinho (1889-1981) foi aluno e discípulo fiel de Eurípedes Barsanulfo. Com ele aprendeu como usar a Corrente Magnética. Dr. Gilson de Mendonça Henriques nos conta que:

 “A um sinal feito por Candinho iniciou-se a entrada, no salão, dos pacientes que receberiam o tratamento. Podíamos observar que ali estavam reunidos obsediados dos tipos mais diversos: eram homens e mulheres desfigurados exteriorizando na face a angústia e o deses­pero que os dominavam. Alguns deles se encontravam sob o controle de auxiliares fortes e preparados, o que não impedia, entretanto, que algumas mulheres rasgassem suas vestes. Por todo o ambiente o voze­rio das lamentações e a inquietação desconcertante dos doentes. [...].

Com o início da leitura o ambiente turbilhonado modificou-se sur­preendentemente. Fez-se silêncio. [...].

Pudemos observar que os médiuns, então, deram-se as mãos formando, o que mais tarde viria compreender, a corrente mento­-eletromagnética [...].

Jerônymo, após atender ao cumprimento desses detalhes prepa­ratórios, passou a comandar a passagem dos espíritos sofredores pela corrente mediúnica.” (14)

 

JEAS: Quais são os benefícios da Corrente Magnética para a Casa Espírita e para os pacientes?

 

Atende Espíritos sofredores e obsessores; desagrega formas pensamentos, clichês mentais, sugestões pós-hipnóticas, matéria mental fulminatória e bacilos psíquicos; promove limpeza do ambiente; retira energias perturbadoras e fluidos tóxicos; atende Espíritos ovóides; rompe o circuito de forças obsessor x obsidiado; trata infecções fluídicas, entre outros. (Ver livro Corrente Magnética, o magnetismo aplicado à desobsessão, p. 251).

 

JEAS: Em quais locais ou Estados do Brasil se aplica a Corrente Magnética?

 

A divulgação da Corrente Magnética há muitos anos e foi intensificada com o lançamento do primeiro livro “Desobsessão por Corrente Magnética”, em 1996, pela Editora Auta de Souza. Atualmente vários Estados do Brasil utilizam esta metodologia de desobsessão coletiva nas Casas Espíritas.

 

JEAS: Por que o Tema Especial da 56ª CONCAFRAS foi Corrente Magnética?

 

A Concafras/PSE é um Encontro de trocas de experiências entre trabalhadores espíritas. É um programa que há 56 anos ininterruptos divulga o bem.

Em cada Concafras, anualmente, é escolhido um Tema Especial para estudo de todos os participantes; Tema que é selecionado por sua relevância no contexto dos trabalhos espíritas e tem a finalidade de ampliar a divulgação sobre o assunto junto ao público espírita.

A Corrente Magnética como prática espírita eficiente, há vários anos, é um dos temas específicos do conclave, e em 2012 foi o Tema Especial da 56ª Concafras/PSE.

 

JEAS: O que se espera do estudo da Corrente Magnética aplicado na Concafras-Pse?

 

Que as Casas Espíritas organizem os cursos para a preparação de médiuns e que aquelas que já têm os cursos funcionando possam implantar a Corrente Magnética e também onde já está funcionando, terão oportunidade de aprimorar a organização desta atividade mediúnica.

 

JEAS: Fale sobre o lançamento do livro Corrente Magnética, o magnetismo aplicado à desobsessão, da Editora Auta de Souza, na 56ª Concafras-Pse.

 

A obra tem 14 capítulos, que traz um estudo apurado sobre o Magnetismo, desde Jesus e o Cristianismo Primitivo; os magnetizadores e a atuação deles junto ao Magnetismo; Eurípedes Barsanulfo e a Corrente Magnética; como a Corrente auxilia nas obsessões coletivas, além de esclarecer sobre os benefícios desta metodologia de trabalho, tanto para as Casas Espíritas, quanto para os pacientes encarnados e desencarnados.

Nosso objetivo ao lançar este livro é, conforme nos disse Kardec: “trazendo nossa pedra ao edifício, colocamo-nos nas fileiras”.  (15)

 

    Referências bibliográficas:

 

1.    Deleuze, Joseph Philippe François. Instruction pratique sur Le Magnetisme animal. J-G., Dentu Imprimeur-Libraire, etc, 1909, p. 89

2.    Miranda, Manoel Philomeno de. Psicografia de Divaldo Pereira Franco, Nos Bastidores da Obsessão, 5ª. ed., Rio de Janeiro, FEB, p. 89.

3.    Cahagnet, Louis-Alphonse. Guide du magnétiseur ou procédés magnétiques d’après Mesmer, Puységur et Deleuze, mis à la portée de tout le monde. Paris, Vigot Fréres Éditeurs, troisiéme édition, 1906, 3.éd., p.11-12.

4.    Kardec, Allan. Revista espírita, março 1858, Rio de Janeiro, FEB, 2ª. ed., p. 149.

5.    Kardec, Allan. O livro dos espíritos, 77. ed., Rio de Janeiro, FEB, perg. 555.

6.    Kardec, Allan. Revista Espírita, março 1858, Rio de Janeiro, FEB, 2. ed., p. 149-150.

7.    Kardec, Allan. Revista espírita, março 1858, Rio de Janeiro, FEB, 2. ed, p. 149-150.

8.    Kardec, Allan. Revista espírita, setembro 1865, Rio de Janeiro, FEB, 2. ed., p. 352-355.

9.    Kardec, Allan. Revista Espírita, junho 1867, Rio de Janeiro, FEB, 2ª. ed., p. 249.

10. Kardec, Allan. Revista Espírita, junho 1867, Rio de Janeiro, FEB, p. 254.

11. Kardec, Allan. Revista Espírita, junho 1867, Rio de Janeiro, FEB, p. 254.

12. Baumard, Claire de. Léon Denis na intimidade, Matão, O Clarim, p. 243-245.

13. Novelino, Corina. Eurípedes, o homem e a missão, 5. ed., Araras, IDE, p. 98.

14. Henriques, Gilson de Mendonça. As correntes mento-eletromagnéticas na deso­bsessão coletiva. XII Encontro dos Vínculos Fraternais, Brasília, p.37-38.

Kardec, Allan. O livro dos médiuns. Rio de Janeiro: FEB, p. 51-52. 

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